PARA NÃO ME PERDER NO DISCURSO DO OUTRO, DO PRÓXIMO, TENTO ENCONTRAR O MEU.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Memórias...

Sempre assumi sem receio a força dos meus desejos, meus impulsos inquietos, meu ciúme exagerado, minha possessividade. Nunca consegui mascarar uma mágoa, uma frustração... sempre revelei com altivez o meu amor e as minhas paixões. Apesar disso tudo, guardo segredos, sonhos contidos. Quando meus olhos enigmáticos observam alguém, eles conseguem mergulhar profundamente em suas almas, extraindo as melhores sensações que provocam alegria extasiada, riso sem freio, calor desmedido, sonhos acalentados, vida errante - um amante mórbido.

São sempre amores intensos, pegajosos, sem direito a ensaios. Todas as histórias vividas, algumas felizes, outras dolorosas foram sempre guardadas com muito zelo dentro do meu coração. Esse cuidado especial faz com que a minha alma possa navegar e dialogar com as almas de muitos desses amores.

Nesta salada mista de sentimentos habita também um tal orgulho feroz, que por sua vez impossibilita reencontros e perdões. Neste caso tudo se resume ao sentimento de saudade.

Os poetas afirmam que o tempo é sábio, cura feridas e que ele tudo resolve. Talvez eles tenham razão. Ontem, a data seria de festa, se ainda estivéssemos juntos. Cravava no calendário, exato três anos do nosso encontro de sonhos e fantasias. Naquela noite adormeci embebido pela profunda e infinita beleza do teu olhar, apostando na felicidade. Hoje, escrevo as sensações do nosso reencontro casual, com matizes de cinzas. Diferente dos outros reencontros preferi quebrar o silêncio. Pergunto-me se minha voz embargou quando disse as primeiras palavras, tentava falar de sonhos e conclui desejando de forma muita sincera a realização de tantos outros. O diálogo foi curto, inesperado e talvez por isso, estranho. Na verdade, nunca mais, seremos os mesmos!

Essa cena aparentemente caótica, talvez impulsiva e involuntária foi no entanto para mim, a realização de uma necessidade. Tempos polidos.

Dormi sozinho essa noite, isento só por hoje, dos sonhos de outrora. Dormi tranquilo e cada vez mais consciente de quem de fato Sou, dos desejos que alimento, dos amores possíveis, dos sonhos irrealizáveis, das vontades que me impulsionam, da felicidade que almejo, acredito e busco a cada instante que a vida generosamente me dá de presente.(HODIE)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Paquerar

Adentrou em sua casa juntamente com o despontar do sol que ainda muito cedo já brilhava de forma intensa assim como a noite outrora vivida. Tomara seu banho e o riso solto juntamente com a água corrente produziram efeitos sonoros harmônicos ecoando a felicidade. Pensara que em tempos modernos, onde o primeiro encontro sempre acaba na cama, restando simplesmente à plena satisfação do corpo através do sexo, já não existisse mais a magia, a sedução e o encanto que há no flerte. O prazer da última noite começara com o encanto das palavras, com os olhos que se entregavam e finalmente com beijos ardentes, cheiros intermináveis e abraços apertados. A madrugada de ruas vazias com poucos transeuntes configurou os espaços do encontro e as “redescobertas” daqueles que teimam em acreditar no destino e nunca perdem de vista o sentimento da esperança.


Assim como o poeta que confessa seus segredos através da poesia, o amante impetuoso embarcou entusiasmadamente no trem da última sexta, percorrendo em novos trilhos, apostando na felicidade. (Hodie)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Revelação

Novas cores começaram a figurar os dias de setembro. Nossos encontros diários, ainda formais, me permitem navegar pelo teu corpo através dos meus olhos famintos e sedentos de desejo. Observo atentamente a curvatura do teu corpo, a beleza do teu sorriso e me transporto levemente para o calor do teu abraço ainda imaginário e sinto, numa felicidade puramente sensorial o teu perfume e a melodia da tua voz em tons de paixão e de entrega quando comungas o mesmo leito, o mesmo lençol e lá imprime o sabor do sexo. Pergunto-me se vale a pena nessa altura da minha vida habitar ao gosto de fantasias. Embora esteja tão perto, aprecie tua pele branca e suave, caminhe pausadamente pelas linhas do teu pescoço, cujo sugaria sem hesitação, tenho vivido até não sei quando o dilema da revelação. Venho nutrindo dessa forma, um amor platônico, saudoso e risonho! (HODIE)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Permissão

Antes,

Um olhar aguçado,

Um abraço repressor,

Um instante não vivido.

Ontem,

Um diálogo preliminar

Mãos entrelaçadas

Um gosto de lábios.

Hoje,

Uma lembrança palpável

Um encontro no final da tarde

Um mundo de possibilidades.

(HODIE)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Encontros e Reencontros



Final de tarde em Teresina. O sol brilha com vitalidade em sua cena diária de adeus na bela margem dos encontros dos Rios Parnaíba e Poti no clima tropical predominante no centro-norte piauiense. Contemplo esse espetáculo da natureza e como sempre meu pensamento pulsa num processo recorrente de lembranças e reflexões. No rio, além do reflexo solar, os barcos de pesca transitam num movimento de vai e vem, um contraluz incrível que permite o anonimato dos personagens do cotidiano. Pedras configuram ainda este cenário carregado de magia e encanto. Os tons alaranjados no céu, o sol findo entre as rochas, a escuridão que se anuncia mesclam as cores que revelam a identidade de cada um dos rios. O encontro fusão é verificado pela diversidade, considerando que cada rio, assim o cada um de nós, traz uma característica única, um luz individual, uma cor transitória, mutável de acordo com as relações, seja social, afetiva ou profissional. O rio segue perene o seu percurso, encara barreiras, ultrapassa os mistérios profundos, pigmenta texturas e se encontra com outro rio, para juntos partirem em rumo dos mares.


Assim, somos todos nós, resultado dos encontros, e são tantos ao longo da caminhada. Encontro com o porteiro do condomínio, com o atendente na padaria, com a criança faminta que na rua insiste por um trocado, enfim... levaria páginas retratando tantos encontros, na verdade, meu desejo reside na ideia de pensar e refletir sobre as lições que cada encontro, tem a capacidade de ensinar. Ontem por exemplo, antes de dormir te encontrei no silêncio da noite, no sonho da madrugada, no telefonema de hoje cedo. Foi dessa forma que amenizei a saudade... No percurso do trabalho, encontrei as pessoas nas ruas, os carros parados nos sinais em vários sentidos e direções, certamente rumando para mais um dia em que obrigações serão executadas. Na lanchonete do trabalho ou da esquina, encontrei grupos e grupos partilhando instantes de suas vidas de forma metódica e imperceptível. E foi assim que surgiram questionamentos: Porque não perceber e extrair tudo que o encontro pode provocar? Porque as pessoas, os lugares, as sensações tantas vezes nos passam tão despercebidas?


Quando mirei a harmonia contínua dos rios, surgiu a necessidade de entender a essência e quão fundamental existe na partilha necessária do encontro e porque não, do reencontro! Seria sabedoria extrair sempre de cada instante vivido o fortalecimento que por natureza tem-se efetivamente no encontro de determinadas circunstâncias, e assim, torna-se forte, coeso, exatamente como acontece com os rios.


Minha memória, nunca traiçoeira, transporta-me para o mundo imagético de cada encontro que marcou de forma singular meu percurso de águas. Lembro-me de cada fusão, dos olhares, da ansiedade, do nervosismo quando a mistura sinalizava não só traços da personalidade no diálogo fluído, mas principalmente no encontro de carnes, em que mente e corpo comungavam um conceito unilateral.


O impacto e ao mesmo tempo a congregação dos rios, uma força imbatível constituída, metaforizou aquele nosso encontro, o mais recente, por isso talvez o mais marcante. Corpos antes segregados, que pela percepção dos rios, também se fundiram no propósito pactual do desejo, da vitalidade, da força e da esperança.


Agora já é noite, preciso de licença, hora de voltar para o calor da cama.(Hodie)


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Prazer



A segunda desperta como sempre: intensa e movida pela dinâmica ativa. É o mesmo barulho dos aviões, dos carros da cidade, do trâmite das pessoas que correm contra o tempo para assumirem seus postos de trabalho e seus afazeres, cumprindo um ritual diário do destino. Como sempre o relógio toca as 6:15 sinalizando o processo metódico do despertar, porém, diferentemente dos outros dias, resolvi aquietar-me um pouco mais para pensar na última tarde de domingo. No breve intervalo entre a cama e o banheiro, ouço próximo da janela ao lado, um pássaro cantar, sua musicalidade ecoa neste instante os odores do teu corpo que ainda estão impregnados na minha pele. Refiro-me a um bom dia suave e feliz onde a lembrança tácita me rouba um sorriso maroto. O sol firme invade a veneziana e o jogo de luz e sombras imprime na parede, cenas alternadas do nosso encontro de corpos, beijos e suor. Esse reencontro imaginário, revela o mesmo ato libidinoso de outrora, não foi um sexo fugaz, eu sei, teus lábios carnosos estavam recheados de enlevo, a tua língua degustava uma aliança de prazer, e naquele instante entre mim e você, uma cumplicidade de desejos. Agora sim, acordado para o dia encaro as pessoas com uma expressão estampada na cara de quem acredita que a vida ou o destino carrega uma mania absurda de nos provocar a esperança. Espero ver-te brevemente e até lá vou exalando sintomas de felicidade. (Hodie)

domingo, 26 de julho de 2009

Amanhã


Cada dia que passa percebo a vida ou seria o destino trazendo a magia do novo, da possibilidade, do “aparente” inesperado...


E é assim que nem sempre a raiva, a dor e/ou a decepção têm longos reinados. O amanhã que é desconhecido, pode por vezes, ser antecipado e revelado logo na madrugada provocando assim, o reino do prazer e da à alegria. Permitam-me hoje, não citar a esperança, sempre recorrente na minha produção, mas o desejo, balizado pela vontade, pelo entusiasmo de provocar na vida ou para a vida o tremor sensorial da vaidade, da liberdade e do riso...


Estou sentindo, repensando ou simplesmente revivendo nessas palavras um feliz instante: o anúncio precoce desse amanhã.(Hodie)